Maio 21, 2018

Che Guevara, 9 de outubro "Morte da homofobia racista revolucionária"

By Outubro 08, 2017 No comment

Muitos esquerdistas nostálgicos relembram, hoje 9 de outubro, o falecimento de seu ícone-mór, o guerrilheiro argentino Che Guevara que lutou, com Fidel Castro, para a implantação da mais antiga ditadura latino-americana ainda vigente. Entre os nostálgicos, inclusive muitos homossexuais que ou não sabem ou se fazem de esquecidos do que a "revolução cubana" representou para los maricones da ilha caribenha.

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Execução de Prisioneiro em Serra Maestra

Como recordar é viver, segue tradução de artigo sobre o fórum Cuba, Revolução e Homossexualidade, realizado em Madrid em 2008, quando escritores, poetas, editores, políticos e  exilados cubanos retomaram a verdade oculta atrás do mito.

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Zoé Valdés, escritora cubana.

A homofobia revolucionária

Nos dois dias do fórum, escritores, poetas, editores, políticos e  dissidentes exilados debateram sobre a homossexualidade em Cuba e a repressão que a revolução exerceu contra as minorias sexuais.

O cartaz do encontro é ilustrativo (ver acima): segundo Valdés, a mítica foto de Ernesto “Che” Guevara, por Alberto Korda, enfeitada com as cores do arco-íris da bandeira gay, “teria deixado o guerrilheiro irritadíssimo”.

Valdés explicou que em Cuba se idealizou o conceito de “homem novo”, proposto por Che Guevara em sua obra O Socialismo e o Homem em Cuba. Diferentemente da ideia de um homem livre, o conceito “propunha modelos fascistas e machistas de perfeição viril que negavam a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade”.

Lamentando que “no mundo se use a imagem de Che Guevara sem de fato se conhecer o que ele pensava”. a escritora declarou:

É preciso conhecer os livros que ele escreveu e não o que se escreve sobre ele. É como colocar uma foto de Hitler sem saber quem era. Esse uso foi e continua sendo muito prejudicial ao mundo.

Valdés também falou da paixão que o fundador do Instituto Cubano de Cinema, Alfredo Guevara, sentia por Fidel Castro:

Todo dia 31 de dezembro, esperava, como uma noiva, que Fidel o chamasse para felicitá-lo pelo aniversário.

Em sua opinião, a situação dos homossexuais em Cuba “não mudou muito” desde o início da revolução, apesar de já haver órgão estatal vendendo o contrário:

Não mudou muito mesmo agora em que se fala do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), um projeto dirigido por Mariela Castro, filha de Raúl Castro e, portanto, outro órgão do governo.

Para a escritora, a revolução cubana é um produto de exportação vendido pelo maior marqueteiro da História:

Fidel é o maior especialista em marketing do século XX. Criou um produto que vendeu em todo o mundo e que continua a ser comprado. Para nós, cubanos, também vendeu a ideia de que a revolução acabaria com as injustiças, que seríamos livres, mas a realidade foi bem outra.

Por sua vez, o poeta León de la Hoz recordou que, em Cuba, muita gente chama Raúl Castro de “a mocinha de olhos tristes”, em referência à sua suposta homossexualidade não assumida.

O Fórum começou com um debate sobre o poeta José Mario que morreu pobre e solitário, em Madri, em 2002. O poeta foi uma das vítimas dos rigores das Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAP), onde o regime castrista “reeducava” os homossexuais.

Nesses campos, como o escritor Jacobo Machover informou que José Mario sempre comentava, os dirigentes cubanos emularam o dístico “O trabalho os fará livres”que encimava a entrada dos campos de concentração nazistas. No campo em que o poeta esteve internado, em Camagüey, como indicativo da mentalidade comunista sobre a homossexualidade, podia-se ler um cartaz com  os dizeres “O trabalho os fará homens”.

Nas palavras do também poeta Felipe Lázaro, diretor do editorial Betania, a perseguição sofrida por José Mario, similar à vivida por outro escritor homossexual, Reynaldo Arenas, condicionou muito negativamente sua vida:

José Mario foi uma vítima da revolução, da implacável máquina de destruição que a revolução representa.

 

Créditos, referencias e fontes

Zoé Valdés, escritora cubana

*Publicado originalmente em El Nuevo Herald via AGMagazine. Tradução e adaptação Míriam Martinho.

BOJEL, Emilio. Gay Cuban Nation. Chicago: University of Chicago Press, 2001. 257 p.
GUEVARA, Ernesto (Che). Textos Políticos. São Paulo: Global, 2009. 88 p.
INFANTE, Guilhermo Cabrera. Mea Cuba. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 518 p.
 
* Cuba, Revolução e Homossexualidade, realizado em Madrid, em  janeiro de 2008, pela Confederação Espanhola de Associações de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (COLEGAS) na Casa América de Madri, Espanha.

 

 

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