Maio 21, 2018

Felipe Peixoto - Vida de acadêmico de Direito em "O escravo do Direito"

By Maio 03, 2018 No comment

Eis que chega o grande momento da sua vida em que você decidirá qual caminho profissional irá seguir, e de certa forma, seja você um jovem recém-chegado a fase adulta, entenda-se aquele que alcançou a maioridade recente, ou aquele que já percorreu longos caminhos da vida, sofrerá as influências na escolha da sua carreira, podem ser influências dos pais, para que realizemos os planos que eles “traçaram” para nós durante nossa criação, podem ser influências dos professores da formação escolar, influências de amigos e de tantas outras fontes que nos deparamos no dia-a-dia, o certo que iremos decidir qual caminho seguir. 

Aos que gostam de curar, cuidar e suportam ver sangue, logo irão se identificar com as áreas da saúde, aos que gostam de construir, planejar, desenhar projetos, certamente caminharão para as engenharias, arquitetura, design ou outras áreas afins, aos que gostam de ensinar talvez enveredem pelas licenciaturas, aos que gostam de administrar, gerenciar a vida financeira, econômica e patrimonial dos clientes deverão ser inclinados a administração, economia ou ciências contábeis,  dessa forma, cada um será chamado a sua vocação dentre tantas outras que estão a nossa disposição.

No entanto, o que nos interessa neste artigo é o chamado que não nos intima, mas nos conduz coercitivamente, a escolha pelo curso de Direito.

Há quem propague a tão perolada frase: “Fiz Direito porque não sei matemática”, pobre ilusão de quem acreditar que fazer Direito é mais fácil que aprender matemática, matemática faz parte das ciências exatas, o próprio nome já diz: ciências EXATAS, e o Direito?! Passamos 5, destaque-se, CINCO anos para aprender que o Direito não é absoluto, que é mutável, que dormimos com uma regra (Lei) e corremos o risco de acordar com outras.

E então, qual o motivo da escolha pelo Curso de Direito? A resposta é simples: Vocação. Mas não é aquela que o senso comum propaga: o indivíduo gosta de brigar, bate boca com todo mundo, vive metido em confusão, vai fazer Direito!

A vocação ao qual fazemos referência é aquele que motiva a ir em busca de justiça, de lutar pela aplicação correta da lei, de fazer valer os direitos e garantias determinados aos cidadãos.

E como já dissemos anteriormente, “Fazer Direito” não é tão fácil assim!

Após seu primeiro dia de aula, seus pais, sua família, seus amigos e vizinhos, já têm certeza que você pode resolver um litigio que surgir, logo, chovem “consultas” jurídicas para que se manifeste sobre o “caso” apresentado e você, cheio de vaidade por ser ACADÊMICO DE DIREITO, vai responder aos questionamentos que lhe forem dirigidos.

E por que isso acontece?

Pelo simples fato do status que o curso proporciona ao acadêmico, considerando que se trata de um dos 3 cursos mais procurados do país, que possui um leque de opções profissionais, altos salários e cargos de status e funções de alto escalão, frise-se, posições de elite, inevitavelmente, seremos seduzidos pelo poder que o curso tem.

Contudo, nem tudo são flores e por eliminação o próprio curso vai fazer o critério de seleção, aos que não gostam de estudar, ler, escrever ou falar em público, já darão alguns passinhos para trás, pois, operadores do direito trabalham com palavras, falas (oratória) e escritas, devem ser persuasivos, argumentativos e observadores.

Livros, apostilas, anotações, legislações, mapas-mentais, resumos, fichamentos e tantas outras organizações de conteúdo, farão parte da sua vida acadêmica.

Os primeiros semestres do curso você se dedicará como ninguém, com a empolgação de universitário exemplar, frequentando as aulas, contribuindo com os debates em sala de aula e socializando as suas ideias.

No meio do curso, você já está com seu grupo de “estudo” formado, e já entendeu como funciona a dinâmica do ensino superior, e já começa a dominar a arte de persuadir os professores a terminarem as aulas mais cedo, aos alunos do período noturno, existem muitos argumentos “plausíveis”: “ Prof., o último ônibus já vai passar, libera mais cedo! ” Ou “Prof., hoje é dia de jogo, vamos embora, na próxima aula, ficamos até mais tarde! ”, e assim vão se construindo as melhores “defesas” para as liberações antes do fim da aula.

Destaca-se que esse é período em que estranhamos a presença de certos “fantasmas” em sala de aula, já que esses só aparecem nos dias de provas e depois somem novamente.      

Na reta final do curso, bate o desespero porque você se depara com os estágios, audiências, ações, processos, aulas e você vai querer recuperar todos os semestres passados nos últimos que lhe restam de curso, entretanto, no fim do curso o trabalho mais temido de todos o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, vem para tirar seu sossego, sua vida social, que já era inexistente desde o primeiro semestre, e agora nesta fase já é nula, e para acabar com resto de paz que você ainda tinha, pois, não é apenas um trabalho é o TCC, que será difícil escolher o tema, mais difícil ainda escrever sobre ele e será refeito várias vezes porque seu orientador ainda quer que o trabalho seja aperfeiçoado e quando enfim você pensar que tudo acabou, chega sua hora de defender seu tão trabalhoso TCC e quais sentimentos norteiam essa apresentação? Ansiedade, medo e angustia, que desaparecerão depois da nota publicada e a aprovação declarada, dando espaço ao sentimento de alivio que prevalecerá sobre seu ser, ou o que restou dele.

Nos últimos dias de aula ao fim do curso, você começa a se afeiçoar ao sentimento nostálgico de perceber que tudo aquilo chegou ao fim, as conversas paralelas durante as aulas; as discussões que terminam em rompimento de grupos; as “consultas ilegais”, vulgarmente conhecidas como “colas” das quais você nunca utilizou, mas apenas ouviu falar; as filas enormes na reprografia para tirar xerox da apostila; ao ônibus que passa lotado e você tem que ir apertado porque não pode perder aula; a cruel dúvida de como empregar a grana curta que você tem, se vai tirar xerox ou se vai até a lanchonete lanchar; ao peso do VadeMecum que você carregou ao longo dos 5 anos e percebeu que não valia a pena comprar todos os anos um novo, porque a legislação muda continuamente e constatou que você não precisa decorar todo aquele “livrão” para saber como aplicar a lei.

Enfim, passaram-se 60 meses, 1825 dias, 43800 horas, 262800 minutos e 157680000 segundos e você ainda vai achar que não aprendeu nada e que não será um bom profissional, mas tenha calma, esta será apenas mais uma etapa da sua vida, você estará deixando de ser um ACADÊMICO para ser um PROFISSIONAL, e não tema, você já estará apto a ir em busca do seu caminho seja ele na advocacia, nos concursos públicos, no magistério do ensino jurídico superior ou em um dos ramos que o curso lhe oferecer.

Dito isso, apenas deixamos para destaque que o Direito não é lugar para aventurar-se, você viverá em busca da justiça e da paz social, será defensor da aplicação da Lei e ESCRAVO do Direito, porque o estudo será contínuo até o fim da sua vida profissional, pois, a sociedade evolui e o Direito evolui junto com ela.

E sobre o bicho-papão: EXAME DE ORDEM? 

Pauta para outra conversa em outro artigo!!!

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Última modificação em Quinta, 03 Maio 2018 13:54

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